domingo, 12 de setembro de 2010
video - 20 Jo Suburi
20 Jo Suburi
Tsuki
01 Choku tsuki Estocada direta
02 Kaeshi tsuki Estocada invertida
03 Ushiro tsuki Estocada para trás
04 Tsuki gedan gaeshi Estocada e batida no joelho
05 Tsuki jodan gaeshi Estocada e ataque em cima (na cabeça)
Uchikomi
06 Shomen uchikomi Batida na cabeça (igual espada)
07 Renzoku uchikomi Batidas frontais consecutivas
08 Menuchi gedan gaeshi Ataque na cabeça e posterior ataque ao joelho
09 Menuchi ushiro tsuki Batida na cabeça e ataque para trás
10 Gyaku yokomen ushiro tsuki Ataque invertido na lateral da cabeça e estocada para trás
Katate
11 Katate gedan gaeshi Ataque com uma mão de baixo para cima
12 Katate toma uchi Ataque longo com uma só mão
13 Katate hachi no ji gaeshi Ataque com uma mão na forma do oito
Hasso
14 Hasso gaeshi uchi Batida frontal no topo da cabeça
15 Hasso gaeshi tsuki Estocada frontal
16 Hasso gaeshi ushiro tsuki Estocada para atras
17 Hasso gaeshi ushiro uchi Batida para tras
18 Hasso gaeshi ushiro harai Varrida para atras
Nagare
19 Hidari nagare gaeshi uchi Fluindo pela esquerda batida frontal
20 Migi nagare gaeshi tsuki Fluindo pela direita estocada frontal
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Pensamentos...
Preste atenção!
Preste atenção aos seus pensamentos, que eles se transformam em palavras.
Preste atenção às suas palavras, que elas se transformam em ação.
Preste atenção às suas ações, que elas se transformam em hábitos.
Preste atenção aos seus hábitos, que ele vai desenvolver o seu caráter.
Preste atenção ao seu caráter, ele se tornará o seu destino.
Preste atenção aos seus pensamentos, que eles se transformam em palavras.
Preste atenção às suas palavras, que elas se transformam em ação.
Preste atenção às suas ações, que elas se transformam em hábitos.
Preste atenção aos seus hábitos, que ele vai desenvolver o seu caráter.
Preste atenção ao seu caráter, ele se tornará o seu destino.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Entrevista com Tokimune Takeda (Parte 1)
Entrevista com Tokimune Takeda (Parte 1)
por Stanley Pranin
Aiki News #71 (Junho de 1986)
Tradução - Jaqueline Sá Freire (Instituto Takemussu - Hikari Dojo – Rio de Janeiro)
O texto que se segue é uma compilação de várias entrevistas feitas com Tokimune Takeda entre 1985 e 1987 em Abashiri, Hokkaido e Tókio. Terceiro filho e sucessor de Sokaku Takeda, Tokimune Takeda começou seu treinamento de artes marciais com seu pai, em 1925. Ele completou o Curso de Treinamento para Oficial de Polícia de Hokkaido em 1946, e em 1947, um curso na polícia de técnicas de manejo de bastão. Sendo membro da força polícial, Tokimune recebeu vários prêmios por grandes serviços na prisão de criminosos. Ele entrou para a companhia pesqueira Yamada em Dezembro de 1951 e trabalhou lá até sua aposentadoria, em 1976. Tokimune estabeleceu o Daitokan dojo em Abashiri, Hokkaido, em 1953, e organizou as técnicas de Daito-ryu, incorporando a elas elementos de Ono-ha Itto-ryu para criar seu próprio Daito-ryu aikibudo. Ele recebeu o prêmio de Educação Cultural Social da Cidade de Abashiri em 3 de Novembro de 1987.
Tokimune Takeda (1916-1993)
Agora que o papel do Daito-ryu no desenvolvimento do aikido é melhor compreendido, imagino que é provável que mais pessoas que praticam aikido estarão interessadas na história desta arte. Gostaria de começar perguntando algumas coisas sobre seu pai, Sokaku Takeda. Pode se dizer que foi ele quem criou a arte do Daito-ryu?
Não, a origem da arte se encontra na arte chamada de tegoi. Existe uma história sobre esta arte no Kojiki. Quando a deusa Amaterasu Omikami procurou o deus Takeminakata no Mikoto e lhe ordenou que retornasse a seu país, ao encontro dela, ele e o deus Takemikazuchi no Mikoto lutaram. A luta foi feita com o uso do tegoi, que pode ser considerado a origem do atual sumo. No passado, as lutas de sumo eram feitas em festivais de templos. O Imperador Seiwa criou os dois corpos de Guarda Imperial de Ukon e Sakon, e tornou o sumo uma arte marcial. Mais tarde, após o período Kamakura, o sumo se tornou a arte marcial mais popular. Assim, pode ser dito que o Imperador Seiwa é o fundador do Daito-ryu. Quando o neto mais jovem do Imperador Seiwa, Shinra Saburo Yoshimitsu, foi para Oshu, no nordeste do Japão, ele estudou anatomia humana através de dissecação, e esta foi a origem do Daito-ryu. Ele ficou em um lugar conhecido como Daito, e se denominava Saburo de Daito. Esta é a raiz do nome. Então o Daito-ryu atravessou as gerações da família Takeda, pois também somos descendentes do Imperador Seiwa.
O registro desta história é mantido no Templo de Ise. Apesar destes documentos não poderem ser mostrados para qualquer pessoa exceto os sacerdotes Shintoistas, me permitiram vê-los, pois a família Takeda descende de uma família de sacerdotes. Quando fui lá conferir o que meu pai tinha me dito, encontrei estes documentos.
O nome de Soemon Takeda aparece na genealogia da família Takeda que você nos mostrou. Era o avô de Sokaku?
É verdade. Ele era o pai de Sokichi, que era pai de Sokaku. Na época da guerra de Aizu, os soldados de todo o pais vieram atacar o cã, pois era considerado um inimigo do Imperador. Assim, acho que se esses documentos não tivessem sido mantidos em um templo, eles teriam sido perdidos.
Você pode nos falar sobre o passado do clã de Aizu?
O clã de Aizu era originalmente responsável pela guarda de Kyoto. Um grupo de samurais chamados de Shinsengumi estava em atividade antes da Restauração Meiji. O emblema dos Shinsengumi era o mesmo do clã de Aizu, e eram descendentes em linha direta de membros do clã de Aizu. Era um grupo violento que assassinava pessoas que apoiavam o Império, pertencentes aos clãs Satsuma e Tosa. Eles matavam até mesmo os principais líderes. Devido ao relacionamento dos Shisengumi com o clã de Aizu, quando os clãs Satsuma e Tosa conseguiram o poder, eles atacaram e derrotaram o chefe do clã de Aizu na Guerra Civil de Boshin. Depois do clã estar derrotado, não conseguiu mais se recuperar. Durante aquela guerra, os Aizu ainda usavam balas de canhão aquecidas enquanto o exército Imperial usava canhões importados. Os Aizu não eram páreo para as forças do Império. O clã de Aizu, que deveria estar guardando o Imperador, tinha se tornado inimigo do Imperador. Em certo ponto, o chefe do clã de Aizu foi preso e quase foi morto. O castelo de Aizu foi incendiado e completamente destruído. São poucas as pessoas que têm os registros da genealogia do clã Aizu.
Tenho certeza que seu pai deve ter lhe contado muitas histórias sobre as experiências dele de quando era jovem.
Sim, ele contou. Uma vez, durante a época da guerra de Aizu, quando meu pai tinha 9 anos de idade, todos os adultos da casa tiveram que fugir para as montanhas. Sokaku e a irmã tinham sido deixados para trás na casa porque os adultos acreditaram que eles estariam em segurança lá. Quando os soldados do exército Imperial chegaram, eles apanharam um pato que Sokaku estava criando com todo o carinho e o mataram. Ao ver isso, Sokaku gritou "Os soldados das tropas Imperiais são ladrões!". Quando o capitão ouviu Sokaku, entrou e lhe disse que os membros do exército Imperial não eram ladrões, pois eram todos soldados do Imperador. Mas Sokaku continuou insistindo que eram ladrões, e o capitão teve que acalmá-lo dando-lhe algum dinheiro. Creio que algumas pessoas que viram isso, mais tarde, se disfarçaram e voltaram à casa para assustar Sokaku e roubar o dinheiro. Antigamente, se usava lamparinas cobertas com papel, e de noite era muito escuro. Quando a noite caiu, eles invadiram a casa usando máscaras. Mas Sokaku ficou zangado e jogou a tigela de arroz que estava comendo em cheio em um dos mascarados. Acho que a máscara que ele acertou partiu no meio. Ele tinha um temperamento heróico, mesmo aos nove anos de idade.
Também me disseram que Sokaku costumava caminhar umas sete milhas no meio da noite para ver os tiros de canhão. As antigas balas de canhão eram muito diferentes das atuais. Elas não explodiam, mas eram aquecidas, bolas vermelhas de fogo que facilmente eram vistas na noite. Todas as noites, Sokaku preparava alguns bolinhos de arroz e ia ver as lutas, pois estava interessado em ver os canhões disparando contra o castelo. Como era um campo de batalha, muitas pessoas carregavam lanças e outras armas. Sokaku viu pessoas se matando desta forma quando era muito criança. Ele adorava os campos de batalha. Por ser uma criança, não precisava temer ser morto, e costumava ir aonde quisesse. Mas havia guardas por todos os lados, e eles o prendiam quando ele fazia algum barulho. Por ser só uma criança, eles o ameaçavam e o mandavam embora. Mas ele sempre voltava!
Ele me contou muitas outras histórias sobre si mesmo. Ele contava que andava por aí testando sua perícia, e como começou a treinar com os grandes mestres. Ele me contou até sobre os hábitos destes professores, bem como sobre as características de suas artes. Essas histórias são muito valiosas para mim.
Pode nos contar sobre a educação de Sokaku?
Ele não fazia o tipo estudioso. Na verdade, Sokaku Takeda não sabia escrever! Quando ele precisava escrever algo, ele pedia a outra pessoa para fazer isso. O pai dele, Sokichi, acreditava que no futuro as crianças precisariam saber escrever, e por isso abriu seu templo para o público durante o período Edo, criando uma escola básica particular no templo. Ele também ensinou Sokaku. Mas seu filho era uma criança estranha, que vivia causando confusões por desaparecer de repente ou por criar problemas com outras pessoas. Por fim, o pai de Sokaku o expulsou da escola. Sokaku desafiou o pai, e declarou que não iria nunca escrever, e que teria outras pessoas para escrever por ele. Quando o pai, Sokichi, respondeu zangado, "Quem irá querer escrever para você?”, Sokaku insistiu que outras pessoas escreveriam por ele. E foi exatamente o que ele fez. Mais que isso, ele tinha juizes e promotores que faziam isso por ele.
Você sabe que era muito raro que policiais escrevessem seus nomes para qualquer coisa. Eu fui detetive de polícia e conheço a situação muito bem. Era uma coisa extraordinária que Sokaku conseguia fazer que policiais e descendentes de samurais assinassem seus nomes e carimbassem seus selos e seus livros de registros. Até atualmente os policiais nunca dariam seus nomes ou cartões de visitas, porque isso poderia causar muitos problemas se fossem mal usados. Mas mesmo no período Meiji, Sokaku pedia aos alunos que assinassem seus nomes.
Sokaku Takeda Sensei tinha irmãos e irmãs?
Ele tinha um irmão mais velho e um mais novo. Ele também tinha uma irmã.
Você pode nos contar alguma coisa sobre as bases de artes marciais de Sokaku?
Sokaku estudou a arte da espada tradicional Ono-ha Itto-ryu do clã de Aizu, com um mestre chamado Toma Shibuya. A maioria dos registros e documentos do clã de Aizu foram queimados na época da guerra de Aizu. Só os poucos documentos que foram guardados no templo se salvaram.
O Kenjutsu era popular e o jujutsu era apenas uma arte complementar naquela época. Em outras palavras, como o samurai sempre carregava suas espadas, eles não precisavam pensar arremessar alguém com as mãos. Assim, na época da restauração Meiji, as artes de espadas eram mais populares que o jujutsu. O Jujutsu estava começando a ser praticado. Oshikiuchi, a arte de palácio, era uma exceção.
Qual foi a importância do Ono-ha Itto-ryu no desenvolvimento posterior do Daito-ryu?
O estilo de espada incorporado no Daito-ryu é o Ono-ha Itto-ryu. Esta arte é a fonte do uso de espada de Sokaku. Sokaku aprendeu sobre quase tudo. Havia muito pouco que ele desconhecia. Os espadachins de antigamente não eram apenas experts com as espadas. Treinar durante o final do período Tokugawa [1603-1868] e no período Meiji [1868-1912] requeria "dez mil homens". Em outras palavras, você treinava dez mil vezes com seus homens e depois passava tres anos viajando por vários dojos para treinar. Você reunia seus homens e participava das lutas de espadas. Cada escola tinha suas próprias formas individuais, mas não importando qual estilo, todos usavam seus homens.
O moderno kendo derivou muito do Ono-ha Itto-ryu, devido à popularidade que ele compartilhava com o Hokushin Itto-ryu. Sasaburo Takano, do primeiro estilo, e Takaharu Naito e Shusaku Chiba do segundo, são muito conhecidos. Até por volta de 1910 não havia uma classificação especial das formas, então a Escola de Treinamento Avançado de Professores (Tokio Koto Shihan Gakko) e o Butokukai criaram kata (formas) para facilitar as aulas. Os kata do kendo que agora são praticados foram estabelecidos naquela época. No Daitokan nós não praticamos mais usando homens, porque praticamos apenas com kata.
Quando usamos espadas, falamos sobre o ato de receber. Você recebe o ataque assim que o oponente puxa a espada. Você precisar ter esta velocidade. A espada do aiki não funciona a menos que seus braços e pernas funcionem bem juntos. Como Sokaku praticou kenjutsu, ele era capaz de girar facilmente os pulsos. Para cortar seu oponente, você precisa colocar a lâmina da espada em uma posição específica, você precisa girar a espada desta forma [gesto]. Você deve receber a espada do oponente com a parte de trás da sua espada, e então girar a sua espada para cortá-lo. Não é assim que você atinge um oponente com um bokken. Como uma espada de verdade tem uma lâmina afiada, você deve receber a espada do oponente com a parte de trás da sua espada. Não deve usar a lâmina para receber a espada do oponente, porque se fizer isso com uma espada verdadeira, a lâmina vai se lascar. Mas se receber a espada do oponente com a parte de trás da sua espada e depois o cortar com a sua lâmina, a lâmina nunca será danificada. Assim, você deve ser capaz de girar com facilidade seus pulsos para fazer as técnicas de espada, e esse movimento dos pulsos é a essência das técnicas do Daito-ryu.
Então seria correto dizer que o Daito-ryu é baseado em movimentos de espada?
Sim. As técnicas de Sokaku são baseadas na espada. Ao aprender o Daito-ryu, é absolutamente essencial estudar a espada. A primeira técnica de espada curta do Ono-ha Itto-ryu é a mesma primeira técnica do Daito-ryu, em que você prende seu oponente, avança e o corta. Esta técnica só foi usada durante o Sengoku Jidai [época dos Estados em Guerra, 1467-1568], mas Sokaku a ensinou como uma técnica importante.
Sokaku sempre levava uma faca curta embrulhada em uma toalha. Ele nunca a mostrava a ninguém, mas creio que alguém deve tê-lo visto a deixar cair alguma vez. A técnica do uso desta faca era uma técnica secreta de Shingen Takeda. Quando um inimigo vem atacar com uma espada, você usa a faca assim [demonstra]. Assim eu atinjo seus órgãos vitais. Isso é o ippondori no Daito-ryu.
Pelo que entendi, Sokaku também estudou artes marciais com professores de fora do clã Aizu?
Sim. Sokaku foi aluno de Kenkichi Sakakibara e estudou Jikishinkage-ryu. O estilo de espada de Sakakibara era chamado “duro”. Estas técnicas também foram transmitidas como parte do curriculum do Daito-ryu. Quando Sokaku foi um estudante da casa, havia muitos alunos aprendendo no Sakakibara dojo. Todos eles sofriam concussões por serem atingidos na cabeça pela espada do professor. Quando ele os golpeava, eles voavam longe. Creio que eles tinham muito pouco para comer, então faziam um mingau ralo de arroz e o bebiam com um canudo de bambu. Era tudo o que eles comiam no café da manhã. Eles passavam fome. Era sob estas condições que Sokaku viveu lá. Creio que ele estudou lá por cerca de dois anos e meio. Havia um homem chamado Jirokichi Yamada no Sakakibara dojo, que depois passou a ensinar o uso da espada na Universidade Hitotsubashi. Sokaku uma vez fez demonstrações na Universidade de Hitotsubashi devido às suas conexões com o Sr. Yamada.
Creio que Sakakibara foi uma base para que Sokaku conhecesse Shunzo Momonoi da escola de espadas Kyoshin Meichi-ryu.
Como você sabe, a chamada Rebelião do Sudeste aconteceu em 1877. Sokaku pretendia apoiar Takamori Saigo, que diziam estar formando um exército. Mas o irmão de Sokaku, Sokatsu, que era um sacerdote Shinto, morreu subitamente, e ele foi obrigado a retornar para Fukushima para o templo de Chikanori Hoshina para substituir seu irmão como sacerdote aprendiz.
Entretanto, mais tarde Sokaku decidiu ir para Kyushu para apoiar Saigo, e fez uma visita a Sakakibara em Edo [Tókio] no caminho. Sakakibara Sensei escreveu uma carta que pediu a Sokaku para entregar para Shunzo Momonoi em Osaka. Sakakibara sabia do plano de Sokaku de se unir ao exército de Saigo para treinamento militar (musha shugyo) e pediu que Momonoi o impedisse de fazer isso. Como Sokaku não sabia ler, ele guardou a carta no kimono e a levou para Momonoi em Osaka. Assim ele começou sua prática lá.
Como foi o treinamento de Sokaku no Momonoi dojo?
Sokaku foi tratado como um convidado no dojo de Momonoi por causa da apresentação de Sakakibara. Shunzo Momonoi tinha se tornado um instrutor da polícia pela recomendação de Sakakibara Sensei. No inicio era Sakakibara que ensinava aos policiais, mas ele recomendou Momonoi para o trabalho, porque ele acreditava que Momonoi era melhor educado que ele. No final, Sokaku não pode ir dar apoio a Saigo e entrar para o exército por causa da intervenção de Momonoi.
Pode nos contar sobre os anos que Sokaku passou em treinamento itinerante de artes marciais, que começou no final da década de 1870?
Naquela época não havia trens, então Sokaku viajava a pé. Ele não tinha como saber com antecedência que técnicas especiais cada dojo que ele visitaria poderia ter. Ele me contou que ficava do lado de fora e chamava pelas pessoas, mas não entrava nos lugares. Mesmo quando retornou já velho para sua antiga residência, ele parava do lado de fora e me chamava gritando, "Sozaburo!", sem sequer entrar na casa.
Naquela época, as pessoas treinavam por 3 anos após terem participado de 10 mil lutas. Diziam que após tal treinamento um espadachim poderia começar a entender como segurar uma espada de bambu. Se eles praticassem um pouco mais, diziam: "Eu pratiquei um pouco”. Naquele tempo isso significava que a pessoa era um grande mestre. Esse era um dos códigos de palavras entre os artistas marciais. Você poderia saber quantos anos de treinamento uma pessoa tinha pela forma como ela pegava em uma espada de bambu, e os demais diriam: "Ah! Esse aí lutou com seus homens dez mil vezes e passou tres anos treinando através do pais”. Isso era no inicio da era Meiji. Não havia então um sistema de graduação por dan.
A cidade de residência de Sokaku era na Prefeitura de Fukushima?
Não, era aqui, no meu endereço atual. Ele se afastou da família principal em Aizu e mudou seu endereço formalmente para Hokkaido.
Sensei, o Sr.uma vez descreveu um famoso incidente que ocorreu em 1882 em Fukushima, aonde Sokaku foi atacado por um grupo de trabalhadores de construção e miraculosamente escapou da morte. Ainda existem documentos na Prefeitura de Fukushima sobre este evento?
Eu fui à Fukushima, mas não encontrei quaisquer documentos. Quando este incidente ocorreu, Sokaku ficou com ferimentos em todo o seu corpo. Ele foi atingido nas costas com um furador. Ele foi resgatado depois que já estava inconsciente. De acordo com Sokaku, já estava escuro e ele pode ver um fogo ao longe. Ele disse que se sentiu bem quando pode seguir o fogo com os olhos. Então, gradualmente recuperou a consciência e escutou seu tio, Shinjuro Kurokochi, chamando seu nome. Sokaku foi salvo porque seu tio estava no local. [Olhando o livro de registros] Este tio tinha feito parte do clã de Aizu. Creio que, junto com vários outros oficiais do governo, ele foi responsável por salvar Sokaku.
Quando o termo aikijujutsu foi usado pela primeira vez nos livros de registro de Sokaku?
Creio que aiki era ensinado como auto defesa há muito tempo atrás, durante o período Tokugawa. Dentre as técnicas de Daito-ryu jujutsu existe um tipo particular de técnica de aiki que chamamos de hanza handachi. As técnicas que eram estudadas para uso nos palácios eram chamadas de oshikiuchi. No passado, quando as pessoas passavam pela obanbeya do castelo de Edo, suas espadas eram retiradas. Todas as pessoas - exceto alguns nobres de certo nível, que tinham permissão de portar as espadas curtas – tinham que entregar todas as armas que carregavam. Eles tinham que “andar sobre os joelhos” perante a família do Shogun. As técnicas de hanza handachi do Daito-ryu eram usadas naquele período em resposta a alguma situação que pudesse surgir.
Então, hanza handachi deve ser uma parte importante do curriculum do Daito-ryu.
Sim, é verdade. Andar sobre os joelhos (shikko) é uma habilidade básica do Daito-ryu. As técnicas Hanza handachi são também baseadas neste andar sobre os joelhos e são usadas em ataques súbitos quando a pessoa se encontra sentada. As técnicas começaram a partir de uma posição sentada e terminadas com a posição de pé que existem no Daito-ryu. Outras artes marciais possuem técnicas para controle de oponentes sentados, mas só no Daito-ryu você aprende a arremessar seu inimigo em cinco direções no processo de se levantar a partir de uma posição sentada. Usamos o termo goho, que significa cinco direções, assim a técnica se chama gohonage. No gohonage, você arremessa seu inimigo em cinco direções - frente, atrás, direita e esquerda e centro – isso é, onde você estava. Este tipo de técnica é única no Daito-ryu. Também há arremessos em cinco direções associados com ikkajo, nikajo, e sankajo.
O termo shihonage do aikido veio do Daito-ryu?
Sim, assim como o kotegaeshi.
E o kokyunage?
Chamamos esta técnica de aikinage.
E o koshinage?
É chamada de koshiguruma.
E o tenchinage?
É uma das técnicas de aikinage.
Pode nos falar sobre algumas das técnicas básicas do Daito-ryu como o ippondori?
O Ippondori é chamado de kogusoku no Ono-ha Itto-ryu, e é usada uma kodachi (espada curta). O golpe vem de baixo quando você é atacado por um oponente com uma espada. No Daito-ryu, quando um oponente ataca segurando você pelo peito, você o segura para baixo. A técnica é aplicada em situações em que o inimigo avança para você e você o controla.
A diferença das outras escolas é que você prende o oponente para baixo usando o joelho. Então você o segura pelo cabelo para cortar-lhe o pescoço. Esta é uma verdadeira técnica do Daito-ryu. Você deve pensar, "que significado isso tem hoje em dia?”. Mas isso é básico para o Daito-ryu. Se você segura um oponente com o joelho, suas duas mãos estão livres. Então você pode cortar o pescoço dele. Você deve permanecer alerta. Mesmo as situações com múltiplos atacantes podem ser controladas com seus braços livres porque um atacante está preso sob seu joelho. Esta é a essência do Daito-ryu. Se você prende um oponente para baixo com todo o seu peso concentrado no joelho, ele não pode se levantar. Cada uma das técnicas é letal. Nenhuma das técnicas dá abertura para o oponente.
Os métodos de ensinamentos do Daito-ryu são completamente diferentes dos das outras escolas. Nossas técnicas usam espadas verdadeiras para combates sérios. Quando o Daito-ryu foi usado no departamento de polícia, a polícia gradualmente parou de praticá-lo desta forma, e começaram a segurar o oponente “gentilmente”. Mesmo durante a era Meiji, as pessoas não mais controlavam os inimigos para apunhalá-los e cortar seus pescoços. Entretanto, a essência do Daito-ryu é se manter alerta até ter cortado o pescoço do inimigo. Os golpes devem ser feitos imediatamente. Ensinamos os alunos de Daito-ryu exatamente isso. Assim a prática é violenta, e um tanto diferente dos outros tipos de práticas ou das práticas suaves do aiki.
Você poderia explicar mais detalhadamente o conceito de aiki?
Aiki é puxar quando se é empurrado, e empurrar ao ser puxado. É o espírito da lentidão e da rapidez, é harmonizar seu movimento com o ki de seu oponente. Seu oposto, o kiai, é empurrar até o limite, enquanto que o aiki nunca resiste.
Aiki se aplica à auto defesa quando um oponente começa o ataque, e usamos o termo como “auto defesa” para as pessoas em geral. Estes dois não devem ser confundidos. Assim, a polícia não usa a palavra aiki. Eles usam “jujutsu”. Eles lutam com kiai, usando um ataque sen sen. O ataque é kiai. Aiki, por outro lado, é go no sen. Os policiais podem começar atacando. É por isso que a polícia estuda Daito-ryu, mas atualmente as artes usadas pela polícia, uma mistura de judo, kendo, aikido, e outras artes, normalmente é chamada de taihojutsu ou técnicas de aprisionamento.
fonte: http://www.aikikai.org.br/site.php?pagina=lista_artigos.php?categoria=2
domingo, 29 de agosto de 2010
Hagakure
O Livro do Samurai
o seu cadáver enfrentando o inimigo."
Yamamoto Tsunetomo
Hagakure – que pode ser traduzido tanto como “folhas ocultas” ou “oculto pelas folhas” – foi publicado em 10 de setembro de 1716, e é uma compilação das filosofias de Yamamoto Tsunemoto, um vassalo de Nabeshima Mitsuhige, o terceiro senhor do que agora é a prefeitura de Saga.
O livro é considerável não tanto pela suas filosofia, os quais dissertam desde assuntos profundos até mundanos passando por absurdos, mas pelo contexto histórico em que ele foi escrito. No ano em que Mitsuhige faleceu, em maio de 1700, o Japão havia completado exatamente 100 anos de paz. Isto havia deixado os samurai com o mesmo problema das forças militares modernas: o que é feito de um guerreiro disciplinado, orgulhoso, em épocas de paz duradoura? Essa mesma questão é discutida atualmente: assuntos políticos e problemas orçamentários se sobrepõe à prontidão e à moral militar. Considere então o quê o samurai, guerreiro do Japão feudal fanaticamente obcecado com honra e pronto para dar a vida pelo seu senhor, deve ter sentido ao ver a sua profissão se estagnar. O próprio Tsunemoto foi proibido de cometer junshi, o suicídio ritual em que o vassalo segue o seu senhor na morte, pelo Shogunato Tokugawa, e isso sem dúvida contribuiu para a sua frustração. Portanto, sob um ponto de vista, Hagakure não é apenas “O Livro do Samurai”, mas um último suspiro de uma casta em extinção.
(Entretanto, o “culto do guerreiro” haveria de aparecer mais duas vezes com trágicas conseqüências na história recente do Japão: uma vez durante as rebeliões do Exército Imperial que levaram ao Incidente da Manchúria e à Segunda Guerra Mundial, e outra em uma escala menor, quando um dos mais famosos autores do Japão Yukio Mishima cometeu o suicídio ritual samurai seppuku em um quartel general das forças armadas japonesas por várias razões, entre elas a sua obsessão com o Bushido, o código de conduta do guerreiro samurai.)
A filosofia do Hagakure é uma típica fusão entre o Zen e o Confuncionismo que prevalecia durante o período Edo (1600-1868). Este sistema social único foi promulgado pelo Shogunato Tokugawa porque a ênfase confuncionista em adoração aos antepassados junto com o Zen fortalecia a idéia de status quo no conceito do sistema de classes feudais, como a devoção filial e o respeito à profissão. Portanto, a idéia de que filhos de fazendeiros deveriam ser fazendeiros e de que filhos de samurais deveriam ser samurais foi fortalecida, protestar sobre a sua própria posição seria desrespeitar os próprios pais e infringir a lei era algo que trazia uma vergonha insuportável para todos, sua família e conhecidos.
Ainda que o Japão esteja se tornando cada vez mais ocidentalizado nos últimos tempos, as regras do Shogunato de 268 anos ainda tem forte influência no comportamento japonês. Portanto, para entender os japoneses, é útil entender a sua história sócio-política.
O Hagakure, além de pintar o retrato histórico do samurai durante o período Edo, tem alguns ensinamentos filosóficos preciosos, tais como:
- Ter apenas sabedoria e talento é o que menos conta
- É difícil os hábitos de um tolo mudarem para o altruísmo
- Um samurai sem um grupo e sem cavalo não é um samurai
- Um homem existe apenas por uma geração, enquanto seu sobrenome dura até o fim dos tempos
- Continue a esporear um cavalo que já está correndo
- Sem dúvida não há mais nada do que o propósito do momento presente. A vida inteira de um homem é feita de uma sucessão de momento após momento: se a pessoa entende completamente o momento presente, não haverá mais nada a fazer, e mais nada para se alcançar.
- Em todas as negociações, é essencial ter uma aproximação sem idéias pré-concebidas. A pessoa deve dar constantemente a impressão de que ele está fazendo algo excepcional e isto é possível apenas com um pouco de empatia.
- Uesugi Kenshin (um famoso daimyo) uma vez disse, “Eu nunca penso em ganhar do começo ao fim, mas sim em não ficar para trás em qualquer situação”
- O fim é importante em todas as coisas (Yamamoto frisa este ponto várias vezes, usando vários exemplos para mostrar que se as coisas terminam mal, tudo que foi feito de bom anteriormente não vale nada. Isto enfatiza a idéia da pessoa estar focada em todo momento presente, para deste modo nunca ser negligente.)
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Entrevista do Sensei Iwao Yamaguchi.
O Sensei Iwao Yamaguchi iniciou seus treinamentos em karate enquanto ainda
freqüentava a escola, na época de seu colegial, como complemento ao seu treinamento de Yoga. Somente mais tarde descobriu o Aikido. Treinou no Hombu Dojô em Tóquio e retornou a Okinawa, para ensinar como instrutor no Dojo Aiki Kai.
freqüentava a escola, na época de seu colegial, como complemento ao seu treinamento de Yoga. Somente mais tarde descobriu o Aikido. Treinou no Hombu Dojô em Tóquio e retornou a Okinawa, para ensinar como instrutor no Dojo Aiki Kai.
Entrevista:
Pelo que entendi, voce tem alguma experiência em Yoga. Esses conhecimentos podem ser aplicados no Aikido?
O Aikido que pratico é o resultado de meus conhecimentos e minhas experiências na vida --- a síntese de tudo do meu passado. Yoga é uma grande parte dele. O que aprendi da Yoga é que há uma Verdade Universal, um universo, e que os humanos são somente um fragmento dele. Aprendi que todos os humanos estão conectados e inter-relacionados como partes desse universo e da Verdade Universal. Enquanto isso é uma filosofia que aprendi da Yoga, também é o próprio Aikido. Mas daí para diante fica muito complicado e difícil de explicar. [Risos]
Com suas experiências combinados de Aikido e Yoga, voce poderia comentar sobre os aspectos físicos e espirituais da respiração?
Kokyu é a respiração. Não há descontinuidade entre inspiração e expiração --- eles estão continuamente conectados. Nós, como humanos, criamos um dia de 24 horas e, à meia noite já entramos na manhã seguinte. Mas, na realidade, não há descontinuidade de um dia para o próximo dia. A respiração, com inspiração e expiração, é a mesma coisa.
Similarmente, no Aikido, não há descontinuidade, entre parceiros. Nós somos um só. Quando pensamos intelectualmente sobre o que vamos fazer, é que difere do Aikido e kokyu. No kokyu, respiramos naturalmente, em harmonia com tudo mais. Não pensamos e dizemos a nós mesmos, "Eu vou respirar" ou "Vou expirar". No Aikido, nos movemos naturalmente, a expressão é natural, e respiramos naturalmente. Respirando naturalmente, nos tronamos um só com A Grande Harmonia. A harmonia que nós praticamos no Aikido é kokyu. Quando alguém empurra, nós não evitamos com força, o que não seria natural. Ao invés disso, damos a passagem. Se pó entra em meu nariz, eu espirro, é uma reação natural. Ë o mesmo no Aikido. Quando alguém empurra, você abre caminho, isso é espontâneo e natural --- como respirar. Quando o vento sopra, as árvores
se inclinam., é como respirar para dentro e expirar para fora. Não há ponto de parada ou ponto de partida; o processo é contínuo --- um fluir constante. Muitas pessoas pensam que a parte física, torcendo o pulso assim e de outros modos, é kokyu, mas não é. Kokyu deve ser a aceitação natural do ataque de um oponente e a harmonização com ele. O rio segue para o oceano, mas a que ponto ele se torna um só com o oceano? Em que ponto é que o rio perde sua identidade? A transição suave do rio para o oceano --- assim é como nós deveríamos interagir e harmonizar-nos com os outros. Na Yoga, nas várias posições existem diversas formas de respiração, mas isso nada mais é do que um aspecto físico do Aikido. Nós transcendemos a isso e nos movemos para além das formas.
Similarmente, no Aikido, não há descontinuidade, entre parceiros. Nós somos um só. Quando pensamos intelectualmente sobre o que vamos fazer, é que difere do Aikido e kokyu. No kokyu, respiramos naturalmente, em harmonia com tudo mais. Não pensamos e dizemos a nós mesmos, "Eu vou respirar" ou "Vou expirar". No Aikido, nos movemos naturalmente, a expressão é natural, e respiramos naturalmente. Respirando naturalmente, nos tronamos um só com A Grande Harmonia. A harmonia que nós praticamos no Aikido é kokyu. Quando alguém empurra, nós não evitamos com força, o que não seria natural. Ao invés disso, damos a passagem. Se pó entra em meu nariz, eu espirro, é uma reação natural. Ë o mesmo no Aikido. Quando alguém empurra, você abre caminho, isso é espontâneo e natural --- como respirar. Quando o vento sopra, as árvores
se inclinam., é como respirar para dentro e expirar para fora. Não há ponto de parada ou ponto de partida; o processo é contínuo --- um fluir constante. Muitas pessoas pensam que a parte física, torcendo o pulso assim e de outros modos, é kokyu, mas não é. Kokyu deve ser a aceitação natural do ataque de um oponente e a harmonização com ele. O rio segue para o oceano, mas a que ponto ele se torna um só com o oceano? Em que ponto é que o rio perde sua identidade? A transição suave do rio para o oceano --- assim é como nós deveríamos interagir e harmonizar-nos com os outros. Na Yoga, nas várias posições existem diversas formas de respiração, mas isso nada mais é do que um aspecto físico do Aikido. Nós transcendemos a isso e nos movemos para além das formas.
Mas Sensei, quando alguém se confronta de repente com uma força, um choque, parece ser uma tendência natural parar de respirar por um momento. Voce está dizendo que isso não é natural?
Bem, se voce não respira voce morre, e voce tem que respirar para fora para poder respirar para dentro. A exalação é mais forte do que a inalação. Se alguém confronta voce com uma força repentina e voce encontra a força com força, isso não é Aikido. O principal do Aikido é ser capaz de aceitar a força. Essa é o básico do Aikido --- e da respiração Qual é a conexão do ki com a respiração?
Quando voce expira, o ki vem para frente --- como se tivesse alguma coisa atrás dele. O ki vem das profundezas, do kokoro, de seu espírito, ou seu coração ou alma em conjunção com sua respiração. Mas é impossível mandar seu ki para frente simplesmente pensando. Somente quando o ki e o kokyu são unidos, quando há um desejo ou uma intenção, que o ki é atraído das profundezas.
O que é o ki?
Bem, o universo está em existência por causa do ki. O corpo é uma coleção de ki, e quando morremos o ki retorna à sua fonte de existência. O universo do ki todo unido, é o campo físico. O quanto de ki nós podemos atrair para dentro de nossos corpos está relacionado com como vivemos nossa vida.
Me desculpe por fazer tantas perguntas simples, mas como o ki "aparece"?
Explicar o ki não é um processo intelectual; ou voce compreende ou não. A idéia de que seu corpo ser um receptor do ki tem muito a ver com seus sentimentos, suas atitudes.
O conceito do ki no Aikido é o mesmo do conceito de prana na Yoga?
Eu acho que quando as pessoa falam sobre prana na Yoga, provavelmente estão falando sobre ki. A Yoga reconhece sete chakras como principais, cada um afetando certa parte do corpo e cada um relacionado ao nosso bem-estar. E essa é a razão do Aikido: nosso bem-estar. Na Yoga, se desenvolvemos nossos chakras, isso certamente afetará a cada aspecto de nossas vidas, e isso também é verdadeiro no Aikido. Nos desenvolvendo no Aikido, nossas vidas mudam para melhor. Mas, não importa quanto nos aprofundamos na Yoga ou progredimos no Aikido, nós eventualmente morreremos de qualquer maneira.Nossa alma, nosso ser --- isso é sobre isso que a Yoga e o Aikido são. Práticas desse tipo são apenas veículos para aperfeiçoar nossas almas, nosso Ser. Esse é sua missão na vida. Se voce congela a água ela se torna gelo, se voce a aquece ela simplesmente vira vapor. Não deixamos de acreditar na água simplesmente porque ela é vapor no momento. A alma é assim, sempre está em estado de transformação, mas é sempre a mesma. H2O é sempre H2O, sendo água, vapor ou gelo. Ë porque acreditamos num amanhã da alma que sempre lutamos para fazer–nos melhores no presente momento, no hoje. Se pensássemos que não iria haver amanhã, não haveria razão para lutarmos hoje.
E por isso que praticamos Aikido, porque acreditamos no futuro da alma. Muitos
instrutores tem outras opiniões diferentes, mas sempre voltamos para o que o fundador nos ensinou. Que é nosso caminho ir ao campo espiritual. O caminho foi preparado.
Nosso trabalho é continuar no caminho.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Conheça bem o seu inimigo!
Entrevistando Kar l Geis – por David Russell-
(Esta entrevista foi conduzida por e-mail, durante um período de 2 semanas. O texto foi escrito por Karl Geis. As perguntas elaboradas por David Russell. O artigo foi revisado por Nicholas Lowry e apareceu, originalmente, no Aikido Journal on Line).
RUSSELL : Existe muita controvérsia no meio do Aikido sobre como enfrentar a velocidade de ataque de um karateka. Como você prepara os seus estudantes para enfrentarem estes ataques?
KARL GEIS : eu creio que um bom começo está em definir o que é um artista marcial. Existem basicamente 3 formas de nos defendermos de um ataque e todas três são eficientes se forem individualmente usadas como originalmente concebidas. Temos a possibilidade de força contra força, como no Karate, no boxe, no Taekwondo e em outras artes traumáticas. Uma Segunda forma está nas artes corpo-a-corpo, como o Judo, a Luta Livre, etc...Por último, temos as artes de esquiva, como o Aikido e algumas formas de Jujutsu, etc...Percebemos que as três artes são mutuamente excludentes. Por exemplo, é dificil se agarrar e bater ao mesmo tempo. É difícil se esquivar e se agarrar ao mesmo tempo, assim como é difícil bater e se esquivar ao mesmo tempo.
Com base nos princípios acima, a minha definição de um artista marcial é a de uma pessoa que estuda exclusivamente uma destas três idéias. Ao estudarmos uma arte desta forma, o nosso subsconsciente aprende rapidamente como reagir a praticamente todas as formas possíveis de ataque. Se misturarmos estas artes, contudo, coisas estranhas acontecem.
Por exemplo, se o nosso subsconsciente aprendeu a bloquear com a mão esquerda e bater com a direita ao defender um soco de direita, a nossa resposta será instantânea. Contudo, se tivermos estudado como evitar o soco, o nosso subconsciente se confunde e retorna a decisão para a mente consciente. A diferença está em que o subconsciente toma uma decisão em 1/25 de segundo, enquanto que a mente consciente toma a mesma decisão em ¾ de segundo, ou seja, aproximadamente 18 vezes mais rápida.
Todo e qualquer artista marcial que verdadeiramente internalizou a sua arte não cometerá o erro de ser seduzido pelo jogo do adversário. Isto é, se lidarmos com um soco de acordo com um artista marcial, estamos perdidos. Se, contudo, lidarmos com o mesmo soco, sendo inconveniente com o nosso atacante...Na minha opinião, a melhor forma de conseguir isto é não nos colocando onde os artistas marciais costumam se colocar. O atacante, desta forma, se verá forçado a enfrentar uma situação desconhecida para ele e terá que ajustar apropriadamente a sua estratégia. De qualquer jeito, a pessoa que está usando o movimento como uma parte da sua defesa não se fere e, em geral, tem bastante tempo para mudar o seu posicionamento.
É um fato notório que qualquer um que ataque um karateka, um boxeador, um lutador de Taekwondo ou de qualquer outra arte traumática está assumindo um risco e pode se dar mal. Contudo, quando examinamos as fraquezas, assim como as forças, de qualquer arte traumática, descobrimos muitos furos na armadura.
Se usarmos a nossa arte sobre estes “buracos” de fraqueza, descobriremos que podemos controlar a situação com uma grande facilidade.
Quais são as fraquezas das artes traumáticas e como podemos utilizar estas fraquezas contra elas?
As lutas traumáticas treinam sob certas regras. Uma vez que o modo sob o qual treinamos ensina ao nosso subsconsciente como reagir em uma “luta real”, tais regras programam os seus lutadores de uma maneira que nos permite explorar as suas fraquezas.
Em primeiro lugar, evite lutar próximo – faça com que ele venha à sua procura! As regras das artes traumáticas exigem que os oponentes se enfrentem. Esta é uma regra necessária ou não haverá luta porque um adversário evasivo é difícil, se não impossível, de atingir sem um enorme esforço da parte do atacante. É por isto que um árbitro é necessário ou não haverá luta. Devemos ficar atentos a este esforço extraordinário e contra-atacar quando o oponente estiver concentrado em um ataque.
Em segundo lugar, cubra as suas mãos! As regras de uma luta traumática não permitem que se segure as maõs do adversário ou qualquer parte do seu corpo, porque, quando assim fazemos, o boxe acaba e a luta livre começa. De um modo geral, lutadores traumáticos, como uma modalidade, não lutam agarrados. Também se exige um árbitro para que os lutadores não fiquem em “clinch”. Qualquer lutador traumático de valor lhe dirá que é virtualmente impossível evitar que um oponente hábil consiga um “clinch”.
Em terceiro lugar, mantenha-se em movimento em direção a zonas seguras. Aprendemos, na década de 60, que os artistas traumáticos não se saiam bem contra os boxeadores e as regras do Karate Profissional e do Kickboxing foram mudadas, exigindo que um lutador chutasse um determinado número de vezes por round. Esta foi uma regra necessária para manter o valor do esporte e da sua imagem.
Em quarto lugar, faça com que ele se mova! Se você observar um artista traumático executando um kata, você ficará impressionado com a sua velocidade. No entanto, ao assistirmos uma luta, fica dificil saber qual o estilo ou modalidade do lutador porque, adivinhe!, você não vê a posição do cavalo, etc...Todos acabam se tornando um kickboxing normal. Porque ? Porque todas as artes traumáticas eficientes no ringue devem operar sob os mesmos princípios e regras e se manterem usando as mesmas técnicas, não importa como se chamem.
Socos e pontapés extremamente rápidos são possíveis a partir de uma base estacionária, mas esta velocidade cai drasticamente quando o atacante precisa se mover, ao mesmo tempo em que tenta chutar ou socar um alvo móvel. Tudo se torna muito difícil e muito, muito, arriscado.
Em quinto lugar, nunca se agarre com um especialista nesta área. Há um grande número de grandes lutadores traumáticos que não tem o menor interesse em se envolver com um especialista em luta agarrada no solo. Este é um ponto que, realmente, foi estabelecido pelos irmãos Gracie.
Em sexto lugar, empurre o rosto do oponente com a sua palma da mão! Em geral, os lutadores traumáticos não estão acostumados com ataques com a palma da mão. É bem entendido que não costumamos empurrar coisas com os nós dos nossos dedos. E os boxeadores provavelmente deixariam de usar tanto os socos, se pudessem bater com a palma das suas mãos. O ser humano gera muito mais força, batendo com a palma da mão, sempre que possível, que usando os punhos ou os nós dos dedos.
Em sétimo lugar, aprenda instintivamente a distância necessária para evitar um soco ! Um soco ou um pontapé são instrumentos muito delicados, os quais tem, normalmente, pouca penetração e exigem distâncias curtas. Isto, é claro, é a base para eficiência das artes traumáticas. O uso dos punhos limita, necessariamente, a distância de penetração efetiva de um soco.
Em oitavo lugar, aprenda a atacar sempre em movimento! O uso de pontapés contra um oponente que não inicia o primeiro ataque é muito difícil. Quem quer usar um pontapé, não pode se movimentar muito ao mesmo tempo e, portanto, precisa parar a cada instante em que chuta e um alvo continuamente em movimento frustará a maior parte das suas tentativas de chutar. Por outro lado, se você está se movendo, enquanto ele soca ou chuta, você terá muitas oportunidades para atacar.
Em nono lugar, mesmo o aikidoka com pouca prática, além de treinar constantemente movimentos de esquiva, tem também a opção de chutar (embora muita gente ignore isto). No judo, nós temos o ATEMIWAZA (técnicas traumáticas), embora estas técnicas não sejam executadas em um contexto de Força contra Força. Elas são mantidas como uma reserva, para serem usadas quando o adversário ataca com um chute e se encontra em um momento rápido de desequilíbrio, às vezes em um pé só. O Atemiwaza de Judo é uma forma “suave” de chutar ou socar, compatível com os princípios elementares do Aikido, isto é, com a nossa ênfase em precisão e oportunidade, em oposição à força e deve ser usada apenas em caso de fraqueza técnica profunda. Estas técnicas suaves são muito eficientes quando usadas contra partes do tornozelo, joelho, canela ou coxa. Usadas contra um atacante, em momentos específicos do ataque, podem provocar consequências catastróficas, de imediato ou a longo prazo.
Em geral, as regras da maior parte das lutas traumáticas não permitem ataques abaixo da linha da cintura. Desta forma, o seu treinamento de defesas contra este tipo de ataque é, geralmente, deficiente. Todos os meus mestres sempre me ensinaram que o que você pratica é o que você fará durante uma competição.
Existem outras armas que você pode empregar e que o tornarão um alvo muito improvável de ser escolhido. Prefiro não divulgar estas idéias por razões éticas.
Em outras palavras, não é que não tenhamos algumas armas de longa distância. Apenas as usamos de uma forma diferente e em oportunidades diferentes dos lutadores traumático; quando estamos em uma zona de segurança; e quando podemos usá-las em conjunto com a movimentação de esquiva compatível com o nosso estudo do Aikido.
Todos percebem que uma arte traumática não pode ser desenvolvida sem as restrições acima citadas. Todas aquelas proibições devem ser obedecidas na prática ou no treinamento ou a competição se transformaria em uma luta-livre ou num vale-tudo, etc...Infelizmente, praticar continuamente sob tais condições, evitando as técnicas perigosas de uma determinada arte, leva invariavelmente o praticante a se sentir seguro quando o caso é bem outro.
David Russell : qual o contexto filosófico que você sente como importante quando você lida com outras artes?
Karl Geis : ÉTICA : Ser sincero consigo mesmo.
Nunca devemos subestimar a arte do outro. Nunca me esqueço que, ao descobrir uma fraqueza em outra arte, eu descubro, ao mesmo tempo, uma força. As pessoas tem uma tendência a desvalorizar a outra arte, sem uma análise mais criteriosa. Proceder desta forma em um combate real é uma falha imperdoável. Todos os grandes generais da História sempre alertaram para o mesmo princípio básico : CONHEÇA BEM O SEU INIMIGO! Nunca presuma, sem antes testar a sua teoria.
Existem muitas técnicas que, teoricamente, são muito poderosas mas, na maioria das vezes, elas são inúteis. Lutadores de Jiu-jitsu nem sempre se saem bem contra lutadores de judo. No entanto, lutadores de Jiu-Jitsu praticam muitas técnicas perigosas, enquanto que os judoka só treinam as técnicas seguras. Uma técnica perigosa tem que ser treinada com extrema precaução. Por outro lado, uma técnica segura pode ser treinada até que a sua execução se torne super-rápida e muito mais eficiente, com a vantagem adicional de, teoricamente, não machucar ninguém permanentemente.
Fonte: http://www.aizen.org/Artigo/Visualizar.aspx?id=4
domingo, 1 de agosto de 2010
Ueshiba e o Adversário (Paulo Coelho fala do Aikido em sua coluna)
Criado pelo japonês Morihei Ueshiba (1883-1969), o aikido é a única arte marcial que pratiquei, e em minha opinião é uma das mais interessantes. Ano passado publiquei nesta coluna alguns dos textos de Ueshiba, coletados por seus discípulos durantes suas conversas. Este ano, quero desenvolver livremente algumas de suas idéias a respeito dos confrontos pelos quais temos que passar:
A) Quem tem um objetivo na vida irá se defrontar com uma força oposta; para eliminar esta força, é preciso aprender como fazê-la trabalhar a seu favor.
B) Um verdadeiro guerreiro jamais sacrifica seus amigos para derrotar o adversário; portanto, ele tem que aprender a detectar e resolver os problemas antes que eles se manifestem.
C) A melhor maneira de enfrentar-se com o adversário é convencê-lo da inutilidade de seus gestos. O guerreiro mostra que seu objetivo não é destruir nada, mas construir sua própria vida. Quem caminha em direção ao seu sonho busca a harmonia e o entendimento antes de qualquer coisa, e não se importa de explicar mil vezes o que deseja, até ser escutado e entendido.
D) Não fique olhando o tempo todo os problemas que estão no seu caminho: eles terminarão por hipnotizá-lo, impedindo qualquer ação. Tampouco fique concentrado demais nas suas próprias qualidades, porque elas foram feitas para serem exibidas.
E) A força de um homem não está na coragem de atacar, mas na capacidade de resistir aos ataques. Desta maneira, prepare-se - através de meditação, exercícios, e uma profunda consciência de seus propósitos - para agüentar firme e continuar no caminho, mesmo que tudo e todos à sua volta procurem afastá-lo de sua meta.
F) Em situações extremas, principalmente quando você já está quase perto do seu objetivo, o Universo irá testar os seus propósitos, exigindo o máximo de sua energia.
G) Esteja preparado para grandes provas, à medida que o sonho se torna realidade.
H) Não olhe sua vida com ressentimento, e esteja preparado para aceitar tudo aquilo que os deuses lhe ofereceram; cada dia traz em si a alegria e a fúria, dor e prazer, escuridão e luz, crescimento e decadência. Tudo isso faz parte do ciclo da natureza - portanto não tente reclamar ou lutar contra a ordem cósmica. Aceite-a, e ela o aceitará.
I) Se o seu coração for suficientemente grande, ele será capaz de acolher todos aqueles que se opõem ao seu destino; e uma vez que você os tenha acolhido com amor, será capaz de anular a força negativa que seus adversários traziam.
J) Quando perceber que um adversário se aproxima, avance e lhe diga palavras delicadas. Se ele insistir na sua agressividade, não aceite a luta a não ser que ela vá lhe acrescentar algo; neste caso, utilize a força do oponente, e não gaste a sua energia.
L) Saiba o momento correto de usar cada uma das quatro qualidades que a natureza nos ensina. Dependendo das circunstâncias, seja duro como um diamante, flexível como uma pena, generoso como a água, ou vazio como o ar. Se a origem do seu problema é o fogo, não adianta contra-atacar com mais fogo, porque isso só irá aumentar o incêndio: neste caso, apenas a água será capaz de combater o mal.
Nunca o problema pode lhe ensinar como reagir a ele - só você tem poder para isso.
Fonte: http://oglobo.globo.com/oglobo/colunas/coelho.htm
Assinar:
Postagens (Atom)