sábado, 12 de fevereiro de 2011

Efeitos das artes marciais nas condições de saúde: Um estudo sistemático



Objetivo: visando resumir a evidência dos efeitos que as artes marciais causam à saúde e ao preparo físico, destacar os pontos fortes dos diferentes tipos de artes marciais e para montar um quadro mais completo do impacto causado pelas artes marciais na saúde e também visando proporcionar base para futuras pesquisas sobre o exercício de artes marciais enquanto prescrição terapêutica.

Método: foram incluídos ensaios aleatórios e ensaios clinicamente controlados no estudo sobre os efeitos das artes marciais na saúde.

Resultados: A análise final resultou em um conjunto de 28 questionários (um genérico, sobre as artes marciais de um modo geral, um sobre o kung-fu, seis sobre o judô, três sobre o karatê e um sobre o tae-kwon-do). O tai-chi foi o mais estudado, seguido pelo judô e pelo karatê. Os temas investigados foram amplamente diversificados e incluíram saúde, contusões, efeitos morais, psicológicos e do ponto de vista da medicina natural. Em sua maior parte foram constatados efeitos positivos para a saúde. No Tai-chi não existe contato, o impacto é baixo, há suavidade corporal e concentração mental, sendo muito difundido entre idosos e comprovadamente benéfico para a saúde. As pesquisas feitas com o judô, o karatê e o taekwondo revelaram mais um direcionamento para o aumento das habilidades competitivas dos atletas do que propriamente para o aspecto de seus efeitos na saúde. Nenhuma publicação foi encontrada, quer quanto a métodos aleatórios, quer quanto a métodos clinicamente controlados a respeito do AIKIDO, kendo, sumo, kyudo, qi gong ou outras disciplinas.

Análise e conclusão: Considerando a intensa difusão da prática de artes marciais, seus efeitos sobre a fisiologia, morfologia, imunologia e neurologia serão profundamente estudadas com vistas a ajudar as pessoas a escolher a melhor disciplina ou estilo para atingir seus propósitos. Faz-se necessário categorizar e classificar as disciplinas e estilos conforme seus efeitos em diferentes sistemas corporais e níveis de contato, tanto quanto padronizar critérios de avaliação das artes marciais. Receitar artes marciais como exercício deve ser, portanto, deixar a teoria e partir para a prática.

Results. 5. Características das análises mais aprofundadas. As artes marciais, particularmente aquelas que adotam chutes e socos, podem ser classificadas com sendo de estilo externo e duro, interno e suave. Os internos e suaves, como o tai chi e o AIKIDO, a ênfase maior vai para o senso estético, a harmonia e a sensação de serenidade; tais artes têm recebido o apelido de “zen em movimento”.


Análise. 5. Indicação de prática de arte marcial para diferentes grupos.

Essa escolha de uma arte marcial para um determinado indivíduo deve estar fundada em fatores como haver ou não contato, haver ou não impacto, o estilo ser externo e duro, interno e suave e a freqüência com que lesões e acidentes possam ocorrer. A intensidade pode ser classificada pelos equivalentes metabólicos ou pelo nível cardiológico. O indivíduo, ao optar por alguma arte marcial deve ter em mente o objetivo pretendido. Se for por esporte – em que o objetivo é competir – estilos externos e duros como o judô têm preferência. Outros praticantes em potencial são direcionados para artes marciais que dão ênfase à busca da saúde mental, moral e física e ao auto-conhecimento. Tais escolas dão prioridade ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento das técnicas. Como exemplo desse tipo de disciplina citamos o AIKIDO e o TAI CHI.

[Observação pessoal final, como tradutor:
Como o trabalho foi feito por pesquisadores chineses, a tendência foi dedicar pelo menos 95% dele ao TAI CHI CHUAN, cuja descrição, como arte marcial, condiz em tudo com o AIKIDO, razão porque se insere abaixo o que concluem sobre o Tai Chi Chuan que, afinal, tem exatamente o mesmo significado de AIKIDO (“caminho pelo qual se busca estar em harmonia com toda energia vital”).] Sendo que terminando colocando o judô e o karatê como interesse de atletas que buscam aprimorar seu lado competitivo.

4. Os efeitos saudáveis das artes marciais:

As artes marciais requerem o desenvolvimento mental e corporal de seus praticantes. Por tal razão diferem dos demais esportes e atividades físicas que se atêm ao treinamento físico, puro e simples.
Podem também ser classificadas por sua função e filosofia em tradicionais e não-tradicionais, conforme o caminho de seus ensinamentos. Instrutores tradicionais enfatizam o aprimoramento pessoal enquanto os não tradicionais enfatizam a auto defesa. Ao instruir seus discípulos, os tradicionalistas enfocam três prioridades, nessa ordem: desenvolvimento espiritual, disciplina e forma física (incluindo estética e coordenação). Os não tradicionais enfatizam o combate, a disciplina e o desenvolvimento espiritual. Ambas as escolas apregoam suas vantagens, incentivando a busca pela auto confiança e sua aplicação prática no cotidiano. O tai chi, a arte marcial mais estudada, originária da China, por volta do século XIII, e é baseada na imagem de uma luta entre um grou e uma serpente. A filosofia por trás da prática do tai chi está interligada com a teoria médica chinesa, que sustenta que uma boa saúde é resultado da energia vital, o chi (ki), circulando livremente pelo corpo. A doença ocorre como conseqüência do bloqueio do chi. O tai chi consegue estimular e desbloquear o chi, que passa a fluir livremente, a partir de uma postura correta e de muita aceitação e relaxamento. Embora largamente praticada durante séculos na China como expressão artística, ritual religioso, técnica de relaxamento, exercício e auto defesa, só lá pelo início dos anos 80 que os cientistas chineses começaram a estudar o potencial benéfico do tai chi em termos de saúde. Tai chi é o estilo mais popular das disciplinas marciais. Provavelmente seja mesmo a arte marcial mais popular do mundo, já que dez milhões de chineses e outros povos mundo afora o praticam diariamente. Seus movimentos característicos são circulares, contínuos, de forma vagarosa, controlada e ritmada. Foram documentados vários benefícios do tai chi entre idosos, como a diminuição da tensão, melhoria na agilidade e no equilíbrio, controle da postura e diminuição no endurecimento das extremidades. O tai chi também barra a decadência do sistema ósseo e muscular, associado à deterioração da capacidade funcional, com o aumento do risco de quedas e fraturas de quadris, que ocorre em conseqüência do envelhecimento. Outro benefício adicional do tai chi é que, comparado à maioria dos medicamentos, sai bem mais barato e quase nada em termos de iniciativa tecnológica. Tai chi possui numerosos componentes curativos, incluindo a) desde pequenos até amplos graus de abertura na movimentação; b) flexão dos joelhos; c) postura correta da cabeça em relação ao tronco; d) rotação harmoniosa entre cabeça, tronco e membros; e e) movimentos diagonais assimétricos de braços e pernas. Quanto às necessidades metabólicos a prática do tai chi equivale a andar a uma velocidade de 6km/h (seis quilômetros por hora) e confere ao ritmo cardíaco uma melhoria de 50%, na prática de qualquer forma de tai chi, mesmo a mais simples. Como o tai chi foi muito bem examinado quanto a esses aspectos benéficos ao sistema cardiovascular, força e equilíbrio, as conclusões ora obtidas são referenciais.
O judô é uma arte marcial japonesa em que os oponentes usam o equilíbrio e o peso do corpo, com um mínimo de esforço físico para projetar ou imobilizar o outro. Sobre o judô encontramos seis artigos com análises aleatória ou clinicamente controladas deixando o judô, assim, como a segunda disciplina de arte marcial mais estudada. No entanto a maioria desses estudos dedicou seu objetivo ao aspecto da melhoria da habilidade competitiva dos atletas e não em seus efeitos sobre a saúde. É o que faz do judô um esporte olímpico.
O karatê é uma forma tradicional de combate desarmado, de origem japonesa, em que se empregam pancadas e chutes rápidos. Incluímos três artigos relacionados ao karatê em nosso estudo. Assim como o judô, as pesquisas sobre o karatê vinham focadas na melhoria da habilidade competitiva dos atletas.

Contribuição: Nereu A. G. Peplow

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A ORIGEM DO CONCEITO DE BUSHIDÔ E BUDÔ PARTE III

“A via do samurai é a morte”, escreve Yamamoto Tsunetomo no início do século XVIII, no famoso texto Hagakure: o bushi compreende a necessidade de se destacar de si e recupera a própria vida depois de tê-la descoberto frágil e efêmera. Vida e morte são duas faces da mesma moeda: a morte – também aquela a si mesmo com o ritual do seppuku ou do harakiri – expressa em grau máximo a livre vontade.
Levar ao extremo a experiência e a reflexão sobre combate, sobre conflito e sobre morte – leva o bushi à consciência de que a verdadeira força consiste não em empreender guerra contra o outro, mas no saber compreender sem lutar; e onde a luta seja inevitável, saber se controlar sem necessidade de recorrer à violência, às armas. O maior mestre é aquele que vence sem combater. De resto, o bushi pegou o caminho não para se destacar sobre os outros, mas sobre si próprio: o mestre da arte entendeu que o adversário mais tenaz se aninha em seu interior e o verdadeiro treinamento de combate á aquele que leva a empreender guerra às fraquezas, às faltas, aos rancores e à violência presentes dentro de si, e a erradicá-los. 
Fonte: Lobo Solitário: A estrada branca entre dois rios

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Aikido eficiência em defesa pessoal

Aikido formação de UNDSS (United Nations Department of Safety and Security) pessoal, na sede regional da ONU na América Latina - CEPAL / CEPAL - Santiago, Chile.

Treinamento de Aikido para o GOE e para a 

Policia Civil.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A ORIGEM DO CONCEITO DE BUSHIDÔ E BUDÔ PARTE II




Os dons do guerreiro não são inatos: ele deve saber reconhecê-los e desenvolve-los através de um longo e cansativo aprendizado. Com musha shugyô se indica a busca e a disciplina do bushi que freqüentemente, nos tempos antigos, empreendia viagens de treinamento estudo para se confrontar com outros entendidos nas artes do combate, levando uma vida austera, em busca da perfeição técnica e – em alguns casos, mas nem sempre – moral. Porem, o caminho do budoka não pode se iniciar sem um guia: o mestre é indispensável. Na tradição japonesa o papel do instrutor (sensei, literalmente “aquele que nasceu antes” e que, por isso, está adiantado no processo de busca) é fundamental, e existe um apego às vezes até exagerado à sua figura e autoridade. O ensino tradicional é veiculado não tanto pelas palavras quanto pela demonstração prática de técnicas, ações e posicionamentos baseada na capacidade de intuir do aluno. 
Depois de anos de intensa prática com o mestre, o treinamento a partilhar os segredos e a se tornar depositário da tradição: a transmissão (den) da arte coincide com o crescimento do indivíduo, que, por isso, deverá sempre honrar a ajuda e os cuidados de seu mestre. A atenção conferida aos gestos, ao seguir a forma correta (kata) e ao apropriado código de comportamento (a “etiqueta”, rei) ensinados pelo mestre deriva da concepção nipônica segundo a qual entre forma e conteúdo há uma conexão intima: um modelo correto deve dar vida a um espírito e uma intenção corretos. 
O ensinamento inspira um percurso existencial que visa formar um indivíduo melhor, não só como perito em um setor particular. As etapas da instrução são o desenvolvimento harmônico do corpo (shin), da técnica (waza), para chegar à compreensão das dinâmicas do ki, a energia interna, o sopro vital que permite dispor de uma reserva energética bem mais eficaz que o simples poder muscular. Saber controlar o ki significa conseguir harmonizar-se com o universo, “perceber sua respiração”. 
Por fim, o ápice da compreensão da “maestria” consiste em atingir a iluminação, o “despertar” a própria consciência sobre a natureza das coisas. Como o discípulo budista, o bushi chega – em seguida ao seu exercício entre a vida e a morte -  a reconhecer a natureza da “vacuidade” própria de cada elemento do real. O vazio intenso, neste sentido, não indica anulação pura, mas a máxima potencialidade, e a possibilidade da verdadeira relação consigo e com o outro.          

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A ORIGEM DO CONCEITO DE BUSHIDÔ E BUDÔ PARTE I


A ética e o espírito marciais, com que o Japão é identificado em todo a mundo (ainda que de modo simplista e estereotipado), estão na base do complexo sistema de normas de comportamento que é o bushidô. O termo designa a via, o caminho (dô) do bushi, o guerreiro de origem nobre. Com nome de bushi eram indicados os guerreiros na tradição feudal, enquanto o samurai – termo mais conhecido no Ocidente - era o guerreiro comprometido pelo dever de vassalagem para com o nobre feudal .
Uma determinação mais precisa das qualidades físicas e morais que deveria ter um bushi só emergiu ao fim dos tumultuosos séculos atravessados por guerras contínuas e lutas internas, no seio do Japão. Só com o período Tokugawa (1603-1868) e com a pacificação do Arquipélago, o bushi inicia uma consciente reflexão sobre si mesmo, sobre seu papel e suas motivações; antes os esforços eram voltados a uma direção bastante pratica. Eliminadas as necessidades da guerra, tendo mais tempo para se dedicar ao cultivo do espírito, verificou-se aquela aproximação de tradição marcial e do budismo zen que, erroneamente, se imagina que sempre foi a regra. Mas só com o fim das lutas que poder e com a relativa “desocupação” da classe militar (Buke) é que começou uma transformação do modo de se entender a prática marcial. Do bujutsu (“habilidade, técnicas marciais”), o cento de interesse se deslocou para o budô, a “via marcial”; as técnicas assumiram um valor menos ligado às suas aplicações práticas e se tornaram mais um meio de elevação espiritual que um instrumento de morte.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Porque fazer Iaido ou Kenjutsu

O Iaido- A espada que acalma

Iai tem como objetivo o autodomínio do praticante e a derrota do adversário sem a necessidade de desembainhar a katana, i.e. a conquista psicológica do adversário sem que haja necessidade do uso da espada.


O Iaido é uma mistura única de ética Confucionista, de métodos introspectivos do Zen budismo e da filosofia Taoista(?), tudo isso temperado pelo rigor do Bushido. O Iai proporciona um estado mental focado e sereno ao praticante, podendo ser entendido como uma disciplina meditativa.


A espada no Iaido é um instrumento espiritual, sem dimensão material. As horas de treinamento dedicadas para que se possa atingir o domínio da técnica são horas em que o praticante entra em contato com seu eu interior (espírito).


A Historia


A tradição e história do Iaido remontam cerca de 500 anos. O Iaido, como é conhecido atualmente, começou, provavelmente, com Iizasa Choisai, o fundador do estilo Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu. Essa escola ou tradição incluía, em seu currículo, a prática com vários tipos de armas. Desde o uso da espada e do bastão (Jo) ao arremesso de facas e ao uso de lanças (Naginatas). Uma parte de seu currículo consistia na técnica de desembainhar rápido e golpear imediatamente com o uso de espadas. Essa técnica era usada para autodefesa ou ataque preventivo. Essa parte do currículo

tinha o nome de Iai Jutsu.

É reputado a Hayashizaki Jinsuke Shigenobu (1542-1621), como em toda Arte Marcial, ter recebido inspiração divina para o desenvolvimento de sua técnica, assim como Iizasa Choisai. Inspiração essa que o levou a desenvolver um conjunto de técnicas que denominou Muso Shinden Jushin Ryu Batto Jutsu. Aqui, a palavra Batto significa simplesmente desembainhar a espada.


O fator comum relevante em ambas às tradições (escolas) ou Ryu, assim como em muitas outras tradições que lidavam com katana, era que suas práticas envolviam somente o uso de katas1, i.e. sempre preconizavam adversários imaginários em seus treinos.


A Essência do Iaido


Como uma arte marcial pode ser efetiva quando é praticada somente com o uso de katas contra oponentes imaginários? Essa questão é mais profunda e difícil de responder do que pode parecer inicialmente. O problema começa na definição de ‘efetiva’ e que efeito se deseja obter. Claro que nos katas não existe oportunidade de comprovação da técnica do praticante em combate, como existe no kendo. O rigor na repetição dos movimentos do kata não deixa também espaço para adaptações em resposta às ações de um adversário real.


1 No Kendo, o aluno aprende a confrontar-se com um oponente real, mas com o uso de uma espada de bambu. No Iaido, o praticante usa uma katana real ou uma imitação (Iaito) e enfrenta um adversário imaginário usando uma série de movimentos predeterminados. Esse tipo de prática é chamada de kata.


Como uma arte marcial contextualizada no mundo atual, é muito fácil enxergar, superficialmente, o Iaido e outras formas de esgrima como extemporâneas, simplesmente por não ser usual nem esperado que alguém saia pelas ruas portando uma espada.


O que deve ser notado no entanto é o que está por baixo dessa observação superficial. O que deve ser observado é o modo como o praticante deve se portar para evitar conflitos. Isso foi explicado milênios atrás por Sun Tsu em sua obra A Arte da Guerra e, posteriormente, por muitos estrategistas. O praticante que treina com dedicação e correção e com a orientação de um Sensei, desenvolve a habilidade de reconhecer situações difíceis e de como evitá-las antes que se tornem problemas de fato. Mesmo

sendo inevitáveis ele aprende a enfrentá-los antes que atinjam grandes proporções. Mesmo algumas sendo inevitáveis, o praticante aprende a manter um estado de espírito e postura corporal e mental, que não oferece, ao adversário, oportunidade de agredi-lo. Essa é a essência do Iaido, do Kendo e de outras Artes Marciais que não se transformaram simplesmente em esportes comerciais.

O Kanji ‘I’ também pode ser lido como ‘itte’ e ‘ai’ como ‘awasu’ na frase 'Tsune ni itte kyu ni awasu' que significa: seja onde e o que estiver fazendo, sempre esteja preparado. Como preparado entende-se não só estar alerta, mas também ter treinado rigorosamente para que, se necessário, uma técnica decisiva possa ser utilizada para terminar um conflito. Golpes com uma katana normalmente são cabais, mas esse não é o ponto. No mundo dos negócios a pessoa deve estar preparada e agir decisivamente quando

necessário. Será que a pessoa está preparada, tem a autoconfiança necessária?

Quando um amigo desaponta uma pessoa, ela consegue lidar bem com esse tipo de situação, entendendo completamente as implicações e as conseqüências de suas ações? Ao cruzar uma rua e um carro aparecer como do nada ou algo cai sob sua cabeça enquanto está caminhando, seu corpo se encontra suficientemente equilibrado e sua mente suficientemente clara para lidar com esse tipo de situação e se colocar em segurança? Todos esses são exemplos práticos da aplicação do Iaido no mundo

moderno.

A prática do Iaido é educativa tanto para jovens estudantes, como para executivos, gerentes e empresários, em resumo para todo aquele que precisa e quer aprimoramento nos principais valores humanos e de cidadania.


A Estrutura do Kata


Cada kata segue a mesma estrutura básica de quatro partes: Nukitsuke (desembainhar e cortar) Kirioroshi (corte principal com o uso das duas mãos) Chiburi (retirada do sangue da lâmina) e Noto (embainhar a espada); existem dentro desse formato variações consideráveis. Dentro das mais comuns encontram-se: golpear para frente com o tsuka (empunhadura da katana) antes de desembainhá-la, puxar a bainha (saya) para trás e golpear imediatamente girando-se para trás, cotar em ângulos diferentes de horizontal e vertical, e.g.: diagonalmente de baixo para cima e de cima para baixo ou pela lateral, entre outros.


O Formato de uma Seção de Treino


Após o aquecimento e alongamento, o treino começa com o rito de etiqueta de abertura, que consiste de kamiza ni rei (curvar-se para o lugar sagrado), sensei ni rei (curvar-se para o instrutor) e o to rei (curvar-se para o katana). Em seguida inicia-se uma seção de suburi (prática dinâmica de cortes) e kihon incluindo Chiburi e Noto. A depender do tamanho e nível da turma, outras técnicas derivadas dos katas são exercitadas antes da prática dos katas propriamente dita ser iniciada. A série de katas, freqüentemente, se inicia com o sensei explicando algum ponto que deve ser especialmente observado pela classe ou por algum subgrupo específico da mesma. A isso se segue a pratica formal, em que todos praticam os katas em conjunto sob o comando do líder do dojo ou um treino livre quando os katas são praticados sem sincronismo e individualmente, cabendo ao instrutor a observação e correção de pontos de cada praticante de forma individual. Ao final da seção, todos fazem a etiqueta de fechamento em conjunto.


O Keiko


Esse termo significa treino ou prática, mas é mais que isso. É o estágio em que os

movimentos são aperfeiçoados por repetição lenta, dividindo-se o kata em suas partes
componentes e pela contextualização da técnica em situações e confronto real. Com o
tempo, o praticante começa a entender os princípios de Metsuke (correto uso dos olhos),
Seme (pressão sobre o adversário) com o objetivo de controlar o adversário. Durante o
keiko também são apreendidos os conceitos de Maai (distância de combate) e Ma
(tempo - timing).

O Currículo


O aluno, após aprender as bases de como segurar a katana e cortar, é introduzido gradualmente aos doze katas padronizados pela All Japan Kendo Federation. Esses katas foram desenvolvidos para servir como um padrão para ensino, graduação e competição de forma. Seus movimentos são derivados das formas das escolas antigas (koryu) mais difundidas e, embora representando um estudo base para preparação da prática de koryu, eles continuam sendo usados mesmo em estágios mais avançados,

como as formas padrão utilizadas pelos sensei para demonstrar princípios básicos da técnica.

Além das formas padronizadas, existem as formas das escolas antigas (koryu). As escolas antigas mais difundidas no Japão são Muso Shinden Ryu e Muso Jikiden Eishin Ryu, ambas são derivadas da tradição Muso Shinden Jushin Ryu Batto Jutsu. Essas escolas têm cinco conjuntos de katas, três praticados como solo (Iaido) e dois praticados a dois (Ken jutsu). À medida que o estudante progride, o alcance da

interpretação dos katas se amplia. Enquanto os estudantes iniciantes têm um conjunto de movimentos rigidamente definidos, os estudantes mais avançados já são capazes de imaginar o Kasso Teki (inimigo imaginário) se movimentando e agindo diferentemente.

Assim, eles adaptam os katas de acordo com a necessidade. De modo similar, nas práticas em duo, o estudante (shidachi) deve aprender a cobrir seus pontos fracos (Suki - aberturas), caso falhe, o professor (uchidachi) deve mostar-lhe onde está fraco, podendo atacá-lo de forma diferente do prescrito originalmente no kata. Isso é o início do aprendizado de como estar sempre preparado para qualquer eventualidade no Iaido. Em nosso Dojo adotatamos o estilo Muso Shinden Ryu


O significado de Muso Shinden Ryu



Os dois primeiros kanji pronunciam-se "musoo" e significam "sonho, visão";

O terceiro kanji, que pode ser pronunciado como "shin" ou "jin", significa "deus, divindade, espírito";
O quarto, pronunciado como "den" ou "ten", significa "transmitido";
O quinto kanji se pronuncia "ryuu".
Assim pode-se traduzir Muso-Shinden como uma escola:
"transmitida em sonho por divindade." ou "inspirada por sonho divino." ou "transmitida por visão divina."

Ela se divide em 3 níveis: Shoden (básico) com 12 formas, Chuden (intermediário) com 10 formas e Okuden (formas profundas), este subdivide-se em: Tate Hiza No Bu com 8 formas, Tachi no Bu com 10 formas e Seiza No Bu 3 formas.


Os Nomes dos Katas do Iaido


SEITEI GATA


1. Ippon-Me - Mae

2. Nihon-Me - Ushiro
3. Sanbon-Me - Uke nagashi
4. Yonhon-Me - Tsuka ate
5. Gohon-Me - Kesa giri
6. Roppon-Me - Morote zuki
7. Nanahon-Me - Sanpo giri
8. Hachihon-Me - Ganmen ate
9. Kyuhon-Me - Soete zuki
10. Juppon-Me - Shiho giri
11. Juichihon-Me - Soh giri
12. Juunihon-Me - Nuki uchi
 
 
Fonte : http://www.aizen.org

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aikido - Uma Pequena Visão

Muitas pessoas chegam ao Aikido com uma idéia pré-concebida do que este seja. Normalmente seu único contato com o Budo (Artes marciais de origem japonesa, vinculadas à idéia de auto-aperfeiçoamento), foi através de filmes ou de alguma demonstração que assistiram de Karate ou Judô. Quando estas pessoas visitam um Dojo de Aikido, quase sempre se sentem frustradas com o que vêem, já que não encontram o que esperavam... golpes de alto impacto visual, físico e sonoro! O que acabam na verdade encontrando são movimentos bonitos, circulares e até certo ponto harmoniosos. A primeira impressão destas pessoas já pré-dispostas a qualificar as artes marciais como algo fisicamente bruto, é quase sempre de surpresa e desagrado pois para seus olhos tudo o que vêem é combinado, como se os praticantes estivessem executando algum tipo de ritual ou dança folclórica.
“Isso não funcionaria numa situação real!”... É quase sempre o que pensam e muitas vezes dizem. A prática do Aikido é Budo! Não um simples sistema de defesa pessoal, seus movimentos e formas envolvem tanto o trabalho específico de defesa pessoal, movimentação e posicionamento do corpo, estudo da relação e direcionamento de forças, controle respiratório, emocional... como também trabalhos mais sutis com a consciência do aluno (Na verdade poderíamos dizer que neste aspecto é onde se encontra a pedra fundamental das artes de desenvolvimento interno.). Para as pessoas com um pouco mais de conhecimento sobre o assunto, o Budo é tido como ferramenta para se cultivar as qualidades latentes do ser humano, expandindo seu potencial individual para assim alcançar o benefício de toda a humanidade.
Essas qualidades latentes são tanto internas(ao aluno - “sua consciência”) como externas(situações - ação e reação). Poder-se-ia dizer que a função do Budo é o aprimoramento interno do indivíduo, e que tal aprimoramento começa a partir do cultivo de qualidades que o próprio aluno possui em menor ou maior escala dentro de si mesmo. O Budo utiliza-se de ferramentas para fomentar situações externas e internas durante a prática, onde a ação do aluno torna-se a própria manifestação física de sua consciência(estado mental). Matéria(físico) e consciência(mental) tornam-se movimento, ou seja, ação direcionada que no nosso caso é a manifestação do Aikido. No Ocidente não estamos acostumados a observar a consciência como uma força, já no Budismo(Tibetano) acredita-se na existência de duas forças reais: a matéria e a consciência. É lógico que a consciência depende até certo ponto da matéria, e a alteração ou mutação da matéria depende também da consciência. Através da consciência pode-se alterar a matéria ou corpo físico... no nosso caso isso esta invariavelmente relacionado a forma do Kata(forma técnica).
O Aikido é uma arte marcial onde se utiliza movimentos complexos, sempre mantendo um foco consciente de harmonização e não destruição. Quando observamos um soco ou chute sendo usado como simples veiculo de destruição, prontamente podemos dizer que tais sistemas marciais(escolas) que os utilizam visando apenas tais aspectos destrutivos do uso do corpo, tem por meta principal simplesmente subjugar o oponente. No Aikido não existe tal uso do corpo ou sentimento puramente de agressão gratuita, seus movimentos exigem algo mais no sentido de que o objetivo não é derrubar ou derrotar a situação, mas sim a harmonização das ações e sentimentos... através do estudo dos fundamentos naturais. Esses fundamentos ou leis naturais envolvem todos os diferentes aspectos das interações de forças do universo.
Nas artes marciais em geral existe a necessidade por parte do praticante de aprender a forma ou Kata. Isso é necessário para que ele desenvolva uma percepção de sua própria movimentação forçada(movimentação pré-concebida por seu próprio corpo e intelecto) e mais profundamente a influência de seu estado mental atual com a execução desta movimentação. Essa movimentação forçada pode ser usada com êxito em uma situação extrema(risco de vida) onde seja necessário se defender de um agressor, porém o que deve ficar claro é que a defesa pessoal em si é somente um subproduto, o estudo principal das artes marciais vinculadas ao espírito do Budo é voltado para a conscientização do resultado restrito da defesa-pessoal. O aluno deve tomar consciência através da execução da forma, que a mesma é restrita a uma determinada situação de agressão. Como provavelmente o aluno vai praticar com pessoas de diferentes características tanto físicas como psicológicas, ele acaba por perceber que o Kata não é uma estrutura fixa, mas sim fluida... suscetível a adaptações necessárias à sua execução dependendo das características únicas de cada ação de ataque. Essa liberdade, ou talvez seja melhor nos referirmos a ela como criatividade por parte do aluno durante a execução de um Kata, é considerado um estágio avançado no treinamento. Essa criatividade e adaptabilidade foi basicamente definida pelo próprio fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, como Takemusu Aiki(Um termo freqüentemente utilizado pelo fundador para definir o espírito da verdadeira arte marcial japonesa. Em uma tradução livre seria algo como: O Nascimento de técnicas infinitas enraizadas no fluxo natural da Natureza.)
No início o Kata ou forma é executada de forma rígida(modelo pré-estabelecido), não se dando ao iniciante muita liberdade dentro da forma. Neste primeiro contato do aluno com a forma, o mesmo é obrigado a adaptar-se a ela e não o inverso. Com o avanço da prática o aluno consegue executar a forma de maneira mais natural, adaptando-se não mais tanto a ela mas sim a um período específico da execução da mesma(seqüência específica de movimentos dentro do próprio Kata principal). Sendo assim, o aluno começa a ver que um Kata, exemplo Shomen Uti Dai Iti Kyo Omote, na verdade é formado por vários Katas menores(com funções específicas)... ou seja, seqüências menores de movimentos que somados criam o Kata específico estudado, no caso do nosso exemplo o Dai Iti Kyo. Essa consciência ele já obtêm neste estágio de maneira quase inconsciente, não criando uma nova técnica diferente toda a vez que executa um Kata, mas sim uma nova execução de uma técnica específica(uma aplicação dos princípios inerentes a forma estudada, não necessariamente a construção formal da mesma).
A função do Uke(atacante) dentro do Aikido é bem específica: Empenhar-se em proporcionar um ataque onde seja possível ao Nague(aquele executa) estudar os princípios intrínsecos a uma técnica específica. Portanto, veja bem, é o Uke que oferece a oportunidade de estudá-la. Sem esta compreensão por parte do Uke, o estudo da forma torna-se inviável para o Nague.
O que diferencia o Aikido de outras artes marciais é exatamente esse ponto observado no parágrafo acima, não existe um atacante e um defensor, ou um vencedor e um perdedor. Existe na verdade pessoas ajudando-se mutuamente não através de vitórias ou derrotas, mas através do companheirismo. Muitos professores e esportistas de outras artes marciais, e as vezes até mesmo do próprio Aikido, criticam essa visão fundamentalmente altruísta do Aikido, afirmando ser essa um ilusão... que o mundo em que vivemos hoje é altamente competitivo, e que você deve ser o melhor através da superação de outras pessoas... e que sem a competição externa o aluno torna-se uma ovelha entre lobos, que sem a competição o aluno não se empenharia tanto em aprender.
Para mim essa atitude de tornar-se o melhor pela superação de outras pessoas, ou depender de um estímulo externo deste tipo (competição simplesmente realizada para demonstrar ou reafirmar um sentimento de superioridade perante outro ser vivo), é obter uma confiança equivocada em si mesmo através da posse de um sentimento de superioridade. Acredito que a força de vontade que leva o aluno a buscar subjugar os demais é a vergonha de ser o mais fraco ou o desejo de torna-se o mais forte... Será realmente que o Budo resume-se a isso? Será realmente que estas pessoas estão certas em afirmar que para progredir na vida é necessário possuir este tipo de caráter ou índole? Pelo menos hoje, para mim, acredito que o ser humano possui um potencial muito maior do que simplesmente subjugar os demais... E que o Aikido pode ser uma excepcional ferramenta ou meio para o auto-aperfeiçoamento e não simplesmente mais um método de defesa-pessoal.
Rubens Caruso Júnior Sensei


fonte:   http://www.aikidopesquisa.com.br/artigo_aikido_uma_pequena_visao.htm